Sabe-se lá que coisa é essa que bate em meu peito em disparada quando avisto seus olhos por entre a multidão. Sabe-se lá em que me baseio para dizer que te quero e te amo alucinadamente. O amor é tão improvável...
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Pois é, gente. (que gente?) Sem muita coisa pra falar... final de ano enrolado com provas, traduções e aquelas coisitas de sempre. Acho que a maioria de vcs já sabe que em janeiro vou pra Buenos Aires. Pretendo fazer algo como um "diário de bordo", contando os causos da viagem! Se tudo der certo, publico os textos aqui, com fotos e tal...
no mais, boas festas pra vcs!
Beijos!
Escrito por Joana Souza exatamente às 2:25 AM -
Não se lembrava mais que carregava um rosto. Era mais que um anônimo na multidão, era invisível, a ponto de esquecer-se ele mesmo de que possuía um corpo com necessidades além daquelas de que não se pode prescindir. E por sua expressão apática, não se imagina bem em que algo pensava enquanto caminhava trazendo algumas coisas na mão. Sentou-se em um banco da parada de ônibus, causando certo asco em quem, com sua limpeza impecavelmente fresca, por ali esperava. Apoiou um caco de espelho no encosto do banco e com uma gilete e um pouco de água suja e sabão, começou a se barbear. Primeiro, passou aquela água esbranquiçada com algo que parecia espuma em todo o rosto, delicadamente, como se acariciasse a rosa mais cálida que colhera na estação. Aos poucos e com certa dificuldade, passou a gilete pela barba que estava enorme, cortando-se algumas vezes, apesar do esmero com que desempenhava tal função. As pessoas o olhavam cada vez com mais nojo por ele estar fazendo a barba, ato tão particular, ali na frente de todos. Alheio, seu olhar foi se iluminando à medida em que a pele do seu rosto aparecia e deixava ver o que a barba escondia. Era o homem mais lindo já visto.
Escrito por Joana Souza exatamente às 11:14 AM -
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Escrito por Joana Souza exatamente às 8:35 AM -
Elucubrações...
Estou em um daqueles momentos nos quais não se sabe bem o que vai ser do futuro...conversando com uma amiga, chegamos à conclusão de que essa sensação é um pouco normal pra quem faz alguma faculdade da área de Humanas... será?
O fato é que gostaria deveras de consultar uma cartomante para saber, afinal, "o que vai ser do meu destino?"
Mas, enfim... quase acabando de ler El Entenado, fazendo ainda algumas considerações e já escrevendo a resenha... quero terminar tudo antes do final da semana...
Esforços literários à parte, parece que isso aqui se tornou mais um diário virtual... tudo bem! O importante é dar as caras, certo?
Escrito por Joana Souza exatamente às 12:25 PM -
Escrito por Joana Souza exatamente às 9:42 AM -
O FRIO QUE FAZIA
Fazia frio.
E o frio que fazia fazia dela um abrigo.
Até não haver mais frio...
pois todo frio que havia estava nela: escondido.
Tem feito muito frio ultimamente... não acham?
Escrito por Joana Souza exatamente às 2:06 PM -
Recordo-me bem dos teus olhos a me fitar por entre os fios de cabelo bagunçados pela manhã. Não dizia "bom dia" com palavras, mas a inquietude que saía do teu olhar e do teu sorriso incompleto era mais do que o que qualquer expressão verbal pudesse transmitir. Então, começava a falar ininterruptamente sobre tudo o que eu deveria fazer ao longo do dia e sobre como todas as coisas acontecem de forma a atrapalhar tua rotina. Verborragias matinais nunca me agradaram, mas sabes que não sou de reclamar. Apenas ouvia e olhava teus pés andando de um lado para o outro da casa vazia. Não sei se te lembras, mas um dia te disse que não há rotina que tenha o mesmo compasso do mundo e não há razão, portanto, para apressar teus passos e teus pensamentos. Deixa que tudo venha com calma (porque vem). O mundo gira como quer e nem sempre é conforme a música. Espero que te lembres disso agora para que tuas manhãs não sejam mais tão inquietas e possas simplesmente contemplar as cores do dia.
Escrito por Joana Souza exatamente às 10:09 PM -
Escrito por Joana Souza exatamente às 1:48 AM -
Acaso não te lembras mais da solidão de outrora? Acaso não te passa mais pela mente os momentos em que estivestes a fitar o abismo vertiginosamente? Vertiginosamente... entreolhas imóvel teus companheiros no escuro do quarto e diz sem palavras que estás sentindo medo. Mas, baby, a realidade é o que importa, tua cumplicidade com essas criaturas de teus sonhos é mera convenção. "E o que não é?", me respondes como quem tem vontade de generalizações. Estás ininterruptamente certa de que é melhor viver assim, entre teus escritos e tuas criaturas.
Escrito por Joana Souza exatamente às 11:19 PM -
Escrito por Joana Souza exatamente às 10:26 AM -
Escrito por Joana Souza exatamente às 3:05 PM -
Escrito por Joana Souza exatamente às 11:49 PM -
Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!
Talvez seja esse trecho de um poema de Álvaro de Campos a melhor justificativa para fazer nascer esse espaço. Ou talvez não, talvez seja apenas a necessidade de voltar a escrever "não-cientificamente". Os dias têm passado e deixado a impressão de que meu pensamento tem estado cada dia menos subjetivo, será possível? O fato é que tenho estado ocupada demais, cansada demais, preocupada demais, neoliberal demais. Num último esforço (que drama!) , tento por meio deste instrumento (sem jargões jurídicos, Joana, não é hora disso!) resgatar o que de poético/literário há em meu âmago, como diz minha ilustríssima amiga Fernanda.
Enfim, sem despedidas e sem promessas de retorno.
Minha inspiração é pontual como uma fotografia. O que escrevo são imagens traduzidas em palavras: são instantes,
olhares, fragmentos de realidade captados por meus olhos. Aliás, tradução, em seu sentido strictu é para mim
uma das mais belas artes de que se tem notícia. Traduzir é transpor muito além das palavras, é fazer malabarismo, é
conviver com a não-realização plena do sentido. E assim, o bom tradutor é aquele que faz parecer que o texto traduzido
é o texto original, é o que capta mais amplamente a essência estética e significativa do autor e consegue imaginar em
que palavras de outro idioma aquela essência seria escrita, caso esse mesmo autor fosse nativo desse outro idioma.
Traduzir é estar em um baile de máscaras, é fantasiar-se, é ser ator, é despir-se de si e vestir-se do outro, é ser
aquele que é mais capaz de entender as pessoas, as idéias e as palavras. A escrita para mim é como a tradução, mas aqui,
não se trata de transpor idéias de um idioma a outro, mas de transpor a realidade para
palavras e assim, eu não teria jamais a pretensão de escrever um romance, não tenho a competência para a continuidade
própria dos romances. A poesia, no entanto, seria a manifestação literária que melhor atinge minha percepção, que
mais me encanta em termos de descrição literária da realidade, apesar de não ser sempre ela quem me bate à porta e
me arranca do cotidiano. É, talvez seja a prosa. Mas não a prosa crua, não a prosa de quem narra feitos mirabolantes ou
histórias de traição, mas a prosa descritiva, fotográfica, fragmentária: a prosa poética.
+ Joana Souza
+ 20 anos
+ Universidade Federal Fluminense
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Discurso Monológico
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