Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

Sabe-se lá que coisa é essa que bate em meu peito em disparada quando avisto seus olhos por entre a multidão. Sabe-se lá em que me baseio para dizer que te quero e te amo alucinadamente. O amor é tão improvável...

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Pois é, gente. (que gente?) Sem muita coisa pra falar... final de ano enrolado com provas, traduções e aquelas coisitas de sempre. Acho que a maioria de vcs já sabe que em janeiro vou pra Buenos Aires. Pretendo fazer algo como um "diário de bordo", contando os causos da viagem! Se tudo der certo, publico os textos aqui, com fotos e tal...
no mais, boas festas pra vcs!
Beijos!

Escrito por Joana Souza exatamente às 2:25 AM -

Segunda-feira, Outubro 27, 2008

Não se lembrava mais que carregava um rosto. Era mais que um anônimo na multidão, era invisível, a ponto de esquecer-se ele mesmo de que possuía um corpo com necessidades além daquelas de que não se pode prescindir. E por sua expressão apática, não se imagina bem em que algo pensava enquanto caminhava trazendo algumas coisas na mão. Sentou-se em um banco da parada de ônibus, causando certo asco em quem, com sua limpeza impecavelmente fresca, por ali esperava. Apoiou um caco de espelho no encosto do banco e com uma gilete e um pouco de água suja e sabão, começou a se barbear. Primeiro, passou aquela água esbranquiçada com algo que parecia espuma em todo o rosto, delicadamente, como se acariciasse a rosa mais cálida que colhera na estação. Aos poucos e com certa dificuldade, passou a gilete pela barba que estava enorme, cortando-se algumas vezes, apesar do esmero com que desempenhava tal função. As pessoas o olhavam cada vez com mais nojo por ele estar fazendo a barba, ato tão particular, ali na frente de todos. Alheio, seu olhar foi se iluminando à medida em que a pele do seu rosto aparecia e deixava ver o que a barba escondia. Era o homem mais lindo já visto.

Escrito por Joana Souza exatamente às 11:14 AM -

Sexta-feira, Outubro 24, 2008



Se eu fumasse, esse seria certamente um dos momentos nos quais acenderia um cigarro e, sentada na penumbra desta sala, contemplaria a fumaça: tentativa sincera de desvanecer teu rosto no monóxido de carbono. Mas não, não fumo. E ademais eu seria compelida pelas regras morais e éticas que permeiam o meu cuidar a estas pessoas. Então tua imagem se carimba inexorável nas paredes vazias deste hospital como o contorno de uma foto 3x4 no plástico de uma antiga carteira, da qual não se desfaz não se sabe bem o porquê. Tens qualquer coisa de pungente em teu olhar quando me olhas como se fosse capaz de saber o que penso em um desses encontros fugazes por esses corredores brancos e sinto desnudar-me em cada milissegundo em que o teu castanho se funde ao meu, formando uma só cor, uma só massa densa e misteriosa. Nem a tristeza e a dor que aqui se encerram são capazes de oprimir essa minha rendição ao teu olhar castanho e entre algum cheiro de éter e alguma suspensão só consigo pensar que temos as mesmas cores.

Escrito por Joana Souza exatamente às 8:35 AM -

Segunda-feira, Outubro 20, 2008

Elucubrações...

Estou em um daqueles momentos nos quais não se sabe bem o que vai ser do futuro...conversando com uma amiga, chegamos à conclusão de que essa sensação é um pouco normal pra quem faz alguma faculdade da área de Humanas... será?
O fato é que gostaria deveras de consultar uma cartomante para saber, afinal, "o que vai ser do meu destino?"

Mas, enfim... quase acabando de ler El Entenado, fazendo ainda algumas considerações e já escrevendo a resenha... quero terminar tudo antes do final da semana...

Esforços literários à parte, parece que isso aqui se tornou mais um diário virtual... tudo bem! O importante é dar as caras, certo?


Escrito por Joana Souza exatamente às 12:25 PM -

Sexta-feira, Outubro 17, 2008


Nem tudo são espinhos... contrarresposta ao pessimismo!

Olha que curioso... ganhei um kit da Natura em uma dessas promoções "responda-a-pergunta-tal". Fiquei feliz... agora eles poderiam me contratar pra fazer a parte publicitária da empresa...

...mas, hein?

Escrito por Joana Souza exatamente às 9:42 AM -

Quinta-feira, Outubro 09, 2008

O FRIO QUE FAZIA

Fazia frio.
E o frio que fazia fazia dela um abrigo.
Até não haver mais frio...
pois todo frio que havia estava nela: escondido.

Tem feito muito frio ultimamente... não acham?

Escrito por Joana Souza exatamente às 2:06 PM -

Quarta-feira, Outubro 01, 2008

Recordo-me bem dos teus olhos a me fitar por entre os fios de cabelo bagunçados pela manhã. Não dizia "bom dia" com palavras, mas a inquietude que saía do teu olhar e do teu sorriso incompleto era mais do que o que qualquer expressão verbal pudesse transmitir. Então, começava a falar ininterruptamente sobre tudo o que eu deveria fazer ao longo do dia e sobre como todas as coisas acontecem de forma a atrapalhar tua rotina. Verborragias matinais nunca me agradaram, mas sabes que não sou de reclamar. Apenas ouvia e olhava teus pés andando de um lado para o outro da casa vazia. Não sei se te lembras, mas um dia te disse que não há rotina que tenha o mesmo compasso do mundo e não há razão, portanto, para apressar teus passos e teus pensamentos. Deixa que tudo venha com calma (porque vem). O mundo gira como quer e nem sempre é conforme a música. Espero que te lembres disso agora para que tuas manhãs não sejam mais tão inquietas e possas simplesmente contemplar as cores do dia.

Escrito por Joana Souza exatamente às 10:09 PM -

Domingo, Setembro 28, 2008



Acho a imagem de duas pessoas andando juntas debaixo de um mesmo guarda-chuva o que há de mais representativo em termos de cumplicidade. Vocês não acham? Algumas imagens aparentemente comuns são tão poéticas, tão bonitas... gosto de quem as enxerga com esse olhar; de quem, em meio a tanta poluição e tanto lixo, ainda consegue perceber a sutileza de uma flor crescendo em um muro de concreto, ou a união representada pelas duas escovas de dente unidas no armário do banheiro.
Percebo uma certa valorização desses pequenos detalhes tão cotidianamente humanos no cinema latinoamericano e talvez seja isso que me faça gostar tanto... acabo de assistir Padre Nuestro. Bem, fica a sugestão.
Meu pensamento está um tanto contemplativo hoje... não me resta, portanto, muito o que dizer...
Até!

Escrito por Joana Souza exatamente às 1:48 AM -

Quarta-feira, Setembro 24, 2008

Acaso não te lembras mais da solidão de outrora? Acaso não te passa mais pela mente os momentos em que estivestes a fitar o abismo vertiginosamente? Vertiginosamente... entreolhas imóvel teus companheiros no escuro do quarto e diz sem palavras que estás sentindo medo. Mas, baby, a realidade é o que importa, tua cumplicidade com essas criaturas de teus sonhos é mera convenção. "E o que não é?", me respondes como quem tem vontade de generalizações. Estás ininterruptamente certa de que é melhor viver assim, entre teus escritos e tuas criaturas.

Escrito por Joana Souza exatamente às 11:19 PM -

Terça-feira, Setembro 23, 2008


Vanessa


Talvez fosse coisa do nome. Aquela menina era sempre assim: com seus grandes olhos negros e entre um gole e outro, me contava até onde queria chegar na vida e dizia que tinha vontade de saber de tudo o que existe no mundo. "Não dá.", eu respondia para brincar com seu ego. Mas ela acreditava em mim... e replicava: "É, eu sei." Caíamos, então, no marasmo de sempre. Ela com seus grandes olhos negros a olhar inquieta e latejante para todos ao redor e eu com meus pequenos olhos castanhos olhando um ponto único e distante de um lugar que talvez nem exista.

Escrito por Joana Souza exatamente às 10:26 AM -

Segunda-feira, Setembro 22, 2008



Pequena Morte

Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França, a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce. (Eduardo Galeano)

Texto que dedico a meu amor, por crer ser a máxima expressão em palavras do que sinto.

Escrito por Joana Souza exatamente às 3:05 PM -

Domingo, Setembro 21, 2008




Transversalidades...

Não entendo as cidades, não entendo os outdoors, os esgotos, os copos quebrados no chão das ruas pela manhã. Parece que há algo perdido pelo meio do caminho me dizendo incessantemente que nada disso existe ou deveria existir. Ando sozinha, olhando as ruas dessa cidade e tenho a nítida sensação de que tudo o que vejo não pertence a esse lugar. Não posso deixar de pensar, então, que a história de nosso povo possui um corte quase visceral: a interrupção do fluxo natural de uma "civilização" (assim entre aspas por ser esta palavra mesma fruto da europeização da nossa cultura). Que palavras, conceitos e idéias estariam por aqui presentes? De que modo viveríamos? Se é que posso me incluir usando esse plural... Eu não seria eu, porque sou também produto da miscigenação ou do "corte visceral", sou também um acidente histórico e talvez seja exatamente por esse motivo que eu estou aqui a escrever essas palavras que de nada valem...

- Pensamentos rodopiantes após assistir a Río Arriba (Ulises de la Orden).

Escrito por Joana Souza exatamente às 11:49 PM -

Domingo, Setembro 14, 2008

Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!


Talvez seja esse trecho de um poema de Álvaro de Campos a melhor justificativa para fazer nascer esse espaço. Ou talvez não, talvez seja apenas a necessidade de voltar a escrever "não-cientificamente". Os dias têm passado e deixado a impressão de que meu pensamento tem estado cada dia menos subjetivo, será possível? O fato é que tenho estado ocupada demais, cansada demais, preocupada demais, neoliberal demais. Num último esforço (que drama!) , tento por meio deste instrumento (sem jargões jurídicos, Joana, não é hora disso!) resgatar o que de poético/literário há em meu âmago, como diz minha ilustríssima amiga Fernanda.

Enfim, sem despedidas e sem promessas de retorno.

Escrito por Joana Souza exatamente às 1:52 PM -




+ Joana Souza
+ 20 anos
+ Universidade Federal Fluminense
+ Letras - Espanhol
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Minha inspiração é pontual como uma fotografia. O que escrevo são imagens traduzidas em palavras: são instantes, olhares, fragmentos de realidade captados por meus olhos. Aliás, tradução, em seu sentido strictu é para mim uma das mais belas artes de que se tem notícia. Traduzir é transpor muito além das palavras, é fazer malabarismo, é conviver com a não-realização plena do sentido. E assim, o bom tradutor é aquele que faz parecer que o texto traduzido é o texto original, é o que capta mais amplamente a essência estética e significativa do autor e consegue imaginar em que palavras de outro idioma aquela essência seria escrita, caso esse mesmo autor fosse nativo desse outro idioma. Traduzir é estar em um baile de máscaras, é fantasiar-se, é ser ator, é despir-se de si e vestir-se do outro, é ser aquele que é mais capaz de entender as pessoas, as idéias e as palavras. A escrita para mim é como a tradução, mas aqui, não se trata de transpor idéias de um idioma a outro, mas de transpor a realidade para palavras e assim, eu não teria jamais a pretensão de escrever um romance, não tenho a competência para a continuidade própria dos romances. A poesia, no entanto, seria a manifestação literária que melhor atinge minha percepção, que mais me encanta em termos de descrição literária da realidade, apesar de não ser sempre ela quem me bate à porta e me arranca do cotidiano. É, talvez seja a prosa. Mas não a prosa crua, não a prosa de quem narra feitos mirabolantes ou histórias de traição, mas a prosa descritiva, fotográfica, fragmentária: a prosa poética.
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Outra Apnéia
Discurso Monológico
Ivana Millán
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